A Usina da Alegria Planetária | UAP é uma plataforma de criação e pesquisa que, desde 2010, propõe trocas artísticas com base na transdisciplinaridade, na experimentação de linguagens e na ressignificação  de materiais, indivíduos e seu entorno. Nossa proposta fundamenta-se na ideia de um “modo de vida” como experiência artística total, que funciona como base de experimentos artísticos eco pedagógicos e de existência. A UAP é integrada por artistas visuais, arquitetos, cenógrafos, figurinistas, museólogos, produtores, educadores e pesquisadores, cujo núcleo principal é composto por Kabila Aruanda, Renato Bolelli Rebouças, Bukuritós Aruanda,  Vivianne Kiritani, Giselle Peixe e Simone Donatelli.

 

Descentralizada geograficamente da grande São Paulo, está localizada a aproximadamente 40km da capital, na zona rural de Cotia, bairro Caputera, numa região caracterizada pela escassez de equipamentos e atividades culturais. Em seus projetos e práticas, a plataforma UAP investiga  relações entre a cultura material contemporânea – seus processos de extração, produção, consumo, descarte, coleta e reuso – as nossas tradições socioculturais e de patrimônio imaterial, reunindo conhecimentos e práticas, modos de fazer e de expressão para a criação de projetos de direção de arte, cenografia, expografia, figurinos, moda, patrimônio, criação de objetos e adereços, performances, intercâmbios, residências artísticas e produção de conhecimento.

 

A estrutura física é composta pelo Ateliê Usina, um galpão-estúdio de 260m2 construído em formato de oficina integrada que permite o contato entre suas áreas criativas - ateliês de marcenaria, confecção e costura equipados com maquinário e ferramentas, espaço dinâmico para processos criativos, experimentos e apresentações - acervo de materiais para prática, camarim, cozinha e uma casa-dormitório para receber artistas em residência artística, caracterizando uma  experiência artística mais ampla e continuada, que pressupõe a observação e relacionamento direto com um modo de vida não urbano.

 

O Programa de Residência Artística Permanente, desde 2012, recebe artistas de diferentes cidades do Brasil e de outros países, compartilhando o modo de produção realizado no ateliê e nos ambientes naturais de entorno com diversos públicos e contextos socioculturais. O contato direto com a natureza e a redução de demandas externas presentes nas cidades estimula noções interativas, conviviais e relacionais; assim como uma relação mais orgânica com o tempo redimensiona o fazer e próprio processo criativo. O deslocamento de um olhar sobre a natureza, muitas vezes estetizado e distanciado, para o próprio ato de habitar junto dela, pode revelar mecanismos que valorizam a simplicidade e o encontro, desdobrando outras práticas e modos de produção artísticos.

 

Como plataforma de pesquisa, a UAP toma o processo criativo como lugar para a criação de obras temporárias envolvendo ações ritualizadas do corpo, espaço e tempo, incluindo uma diversidade de práticas interacionais, fazeres e técnicas entre artistas e ‘não-artistas’ a partir do estímulo da criatividade coletiva,  percepção de si e de nossa interconectividade. Funciona, portanto, como um agente articulador para o desenvolvimento de diferentes práticas, projetos e linguagens, oferecendo repertório visual e técnico a disposição dos residentes, participantes das atividades, workshops e visitantes.